Para muralistas que pintam retratos e animais, o esboço não é apenas o primeiro passo – muitas vezes é a parte mais demorada e mentalmente exigente do processo. Acertar as proporções, ajustar a perspectiva com o auxílio de um guindaste e verificar constantemente o alinhamento pode levar horas antes mesmo do início da pintura propriamente dita.
O muralista Fabian Bravo Guerrero, conhecido como Art Kato, radicado em Sevilha, passou anos trabalhando com métodos tradicionais de esboço, como grades e técnicas de rabisco. Recentemente, ele incorporou o Sketchhar e um headset de realidade virtual ao seu fluxo de trabalho – não para substituir a habilidade artística, mas para eliminar os obstáculos da fase de esboço.

Nesta entrevista, Art Kato explica como a realidade virtual transformou sua abordagem aos murais de retratos, por que velocidade e clareza importam mais do que a novidade e como recuperar o tempo dedicado ao esboço permite que ele se concentre no que realmente define o artista: cor, volume e detalhes.
1. Seus murais com crianças são incrivelmente expressivos. Você poderia compartilhar seu processo criativo antes de usar o Sketchar e como ele mudou depois que você começou a trabalhar com um headset de realidade virtual?
Art Kato: Os quatro murais infantis que pintei em Ronda foram feitos usando uma técnica chamada rabisco. Você cria muitos rabiscos ou formas aleatórias que depois servem como guia. É um processo um pouco mais rápido do que usar uma grade e é mais ajustável porque você pode modificar o tamanho e a posição com um aplicativo.
No entanto, torna-se tedioso quando você precisa apagar os rabiscos e tentar encontrar a linha de desenho real em meio a tantos rabiscos.
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2. Retratos são um dos temas mais desafiadores na arte mural, especialmente em termos de proporções e precisão facial. Como o Sketchar e a realidade virtual te ajudam com esses desafios?
Art Kato: Eles me ajudam muito quando preciso criar um esboço rápido. A parede é marcada apenas com o próprio esboço, então não preciso apagar marcas de guia, grades ou outras linhas de referência depois.
O mural com as crianças levou 45 minutos para ser esboçado. Ele mede 18 × 3 metros e, usando a técnica de rabisco, teria levado pelo menos de 4 a 6 horas.

3. Como artista, qual o aspecto mais fascinante ou surpreendente de usar tecnologia como a realidade virtual em seu trabalho com murais?
Art Kato: A velocidade. Já passei de 6 a 12 horas só para encaixar um esboço em um mural grande. É preciso pensar no posicionamento, no movimento do guindaste, na perspectiva e verificar constantemente se tudo está correto.
Com o headset de realidade virtual, você simplesmente começa a pintar sem se preocupar se cometeu algum erro no esboço.



4. Muitos artistas de murais temem que a tecnologia possa interferir em sua intuição artística. Como você equilibra as habilidades tradicionais com as ferramentas de realidade virtual em seu fluxo de trabalho?
Art Kato: Eu sempre digo que, com essa tecnologia, quase qualquer pessoa pode desenhar. Mas não nos enganemos: quando se trata de adicionar cor, volume e criar um design impactante, é aí que entra o verdadeiro artista.


Este foi o primeiro esboço que Kato criou usando o aplicativo Sketchar com um headset de realidade virtual (2 de outubro de 2025).
5. De um artista para outro, qual é a coisa mais importante que você diria para muralistas que nunca experimentaram a realidade virtual e podem se sentir hesitantes ou com medo dela?
Art Kato: Para mim, é mais sobre velocidade e clareza do que qualquer outra coisa. A realidade virtual permite que você use o tempo que normalmente gastaria desenhando para pintar de fato.
As horas economizadas na fase de esboço podem ser usadas posteriormente para aprimorar detalhes e refinamentos. Se você gosta de improvisar enquanto desenha, aí é outra história – mas para um trabalho controlado e preciso, é uma grande vantagem.


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O que se destaca na experiência de Art Kato não é apenas a maior rapidez no desenho, mas sim a mudança de mentalidade. Com a realidade virtual, a incerteza que antes dominava os estágios iniciais de um mural é praticamente eliminada. Em vez de gastar de 6 a 12 horas ajustando proporções, apagando guias e repensando o posicionamento, ele pode começar a pintar diretamente com confiança.
É importante ressaltar que a realidade virtual não elimina o papel do artista. Como Art Kato destaca, qualquer pessoa pode fazer um esboço, mas a compreensão de cor, profundidade, composição e emoção ainda define o verdadeiro talento artístico. Ferramentas como o Sketchar não substituem a intuição; elas a protegem, eliminando o ruído técnico.
Para muralistas retratistas que valorizam precisão, velocidade e foco, a realidade virtual não se trata de mudar a forma de pintar, mas sim de devolver o tempo necessário para pintar melhor.
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